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Entre sábios e aprendizes

Posted in minha-noite with tags , , , on 27 de novembro de 2011 by Pablo Teixeira

E quando você tem medo?
De uma hora pra outra o molde fica pequeno, a saia fica justa, a filosofia parece deixar muitas coisas assim… no ar.
Uma vez, uma jovem aprendiz de sábia me anunciou uma velha palavra que dizia: “Quando eu era menino, sentia como menino e pensava como menino. Agora que sou adulto, parei de agir como menino.”
Talvez seja isso. Pode ser que as mesmas coisas, nas mesmas pessoas, no mesmo lugar estejam me forçando a voltar a ser criança. Mas sabe, eu não quero isso. Eu quero aprender o que eu não sei.
Eu não sei amar, por exemplo. E sinto que nunca vou aprender se continuar onde e como estou agora. O problema todo é ter coragem pra se mudar. Agora eu sei, o medo é de destruir a imagem construída com tanto apreço na mente dos ‘senhores’.
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Prometi para um menino o inevitável: seus dias de meninice estavam chegando ao fim. Ele demonstrava orgulho quando ouvia isso, mas seus batimentos perdiam o ritmo diante da ideia de enfim tornar-se homem.
Ao invés do entusiasmo da infância que embelezava os seus defeitos e os dos que estavam a sua volta, veio uma inquietação. Era como se dentro dele estivesse nascendo algo novo que não estava disposto a dividir lugar com o que fez parte de quase todos os seus dias.
Apesar do amor, a esperança e a serem os mesmos na essência, parecia que acompanhavam o relógio e se viam obrigados ficarem mais intensos.
Eu tentava encorajar esse menino, queria que as minhas palavras soassem mais bonitas do que as de qualquer poeta. Mas, como eu mesma não passava de uma menina, só podia manter a promessa de que nunca soltaria a sua mão.

(Pablo Teixeira/Elisa Calmon)

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Me conta uma boa nova

Posted in minha-noite with tags , , on 20 de novembro de 2011 by Pablo Teixeira

Eu vou ser sincero com você, queria entender algumas coisas. Por que você sempre critica? Tudo, todos. Aqui ou ali. Sempre tem um dedo seu apontado pro que é errado. O que é errado? Aquilo que você julga não ser o certo? Por que você não me ama quando eu não mereço ser amado? Por que você me usa quando eu posso te oferecer algo de bom, mas me critica quando eu dou minha simples opinião? Você deveria representar o que vem do Alto, com paz, amor e ajuda. Mas eu me sinto cada vez mais confuso quando me achego à você. Quem manda você ser assim? Alguém é tão mal e sacana a ponto de mandar você ser assim? Seguir a maioria nem sempre é bom. Seguir a maioria quase nunca é bom. Nesse caso, seguir a maioria definitivamente não é bom. A maior parte de você segue na mesma mão. Mas é engraçado perceber que você aprendeu tudo com quem seguia na contra-mão. Não percebe a contradição nisso? Não percebe que você não segue na mão certa, que é a errada, nesse caso? Essas coisas de louco são assim mesmo. O pensamento é o estímulo que falta à loucura. Uma vez liberto, sempre louco e complexo. Você se faz de morto, mas a vida dos outros depende de uma outra morte que vem de você. Você me decepciona. Todos os dias que não liga pra tudo e nada que está em torno de você. Você acha que eu estou errado? É, eu sei. Agora me conta uma boa. Me conta uma boa nova.

Minha-noite #7

Posted in minha-noite with tags , , , , on 13 de maio de 2011 by Pablo Teixeira

“Não julgar para não ser julgado. Esta recomendação de Jesus tem sido mal interpretada. A maioria usa para refrear opiniões a respeito de outras pessoas. Contudo, não é isso que Jesus pretende (…) Desmascarar é diferente de julgar. Desmascarar é necessário à sobreviência espiritual. Seguir um lobo é perigoso. Cair na conversa de um lobo é faltal. Lobos são letais. Julgar é estabelecer veredictos, determinar sentenças, prescrever penalidades. Julgar é prerrogativa divina. Observar e desmascarar é responsabilidade humana.”

René Kivitz

Agora me diz, o que é o certo?

Acho que entendi esse lance de “julgar”. É bem simlpes (dentro de toda complexidade possível). Ao que me parece, o Deus que conseguiu criar todo o mundo e o que nele há, resolveu deixar os seres habitantes e dominantes desse mundo viverem em paz, podendo fazer suas próprias escolhas, tomando suas próprias decisões, tirando suas vagas e flácidas conclusões.

Contudo, o que parecia ser bom para a humanidade, se tornou seu pior lamento. O Homem pensa tanto, que se esquece de sentir.  Felizmente, para o bem daqueles que pensam, aquele que vê, pensa, fala e faz tudo segundo um inexplicável amor – muito maior do que o imaginado – olhou para a criação, e mais uma vez amou.

Amou aqueles que lhe viraram as costas, amou a quem jogou pedras, feriu princípios e amou a quem conseguiu corromper o prazer dado por ele.

O próprio Amor veio à Terra e virou Esperança. Assim como o “guarda-vidas” traz esperança ao que se afoga no mar, achando que sabe nadar, assim o Filho do Homem veio para fazer com aqueles que pensam saber viver sem ele.

Eu, que só conheço o pecado, fico perplexo tentando entender o que trama o coração de Deus para nós. Agora, imagina Deus – que só conhece o que é bom, vendo tudo que se passa no sujo coração humano. Com certeza eu não tenho certeza (sim) do nome do sentimento que Deus deve sentir. Assim como “saudade” só pode ser sentida no bom português, imagino que no idioma de Deus deve existir algum tipo de palavra para expressar esse sentimento.

Mas o que mais me chama a atenção é o fato de que o ser racional ainda tenta, dia após dia, evoluir. “Qualé o problema?”, você diz. O problema é que tudo que o Homem evoluiu sem a ajuda de Deus, no fim das contas contribuiu (e ainda contribui) para o regresso de toda espécie.

O evoluído quer amar, salvar, julgar e infelizmente – na maioria das vezes, quer condenar. “Ame o próximo” vem depois de “Ame o Senhor teu Deus”. Porém, mais na frente vamos ler que não podemos amar a Deus sem amar ao próximo.  Curioso, né?

Quem disse isso entendia do Amor. E assim o era, entendido do Amor, justamente por não ter vergonha em assumir que de nada entendia. Se o Humano não lembrar o que significa “ser humano”, nunca entenderá essas coisas, entende?

Pra finalizar, cheguei a seguinte conclusão:

No dia que você, humano, conseguir (re)criar o mundo, oferecer esperança de vida – em abundância, seguida de um intrigante amor , que perdoa, transforma e traz sorriso à alma, aí sim você fique a vontade para falar, entender e bolar essa frase:

Pois Deus enviou seu filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê, não é condenado; mas quem não crê, já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.  – João 3: 17-18

Do contrário, se você não for esse Filho, nunca julgue a humanidade pelo que ela faz. Desmascare. Ajude a reconhecer, mas não, em nenhuma circunstância julgue a humanidade.

Meu caro,
Se for pra afundar, que seja num oceano chamado “Graça“.

minha-noite #6

Posted in minha-noite with tags , , , , on 3 de maio de 2011 by Pablo Teixeira

Pra falar de morte, tem que se estar vivo

Pra falar de fim, tem que começar

Pra falar de música, tem que ser surdo para o gosto e só pensar no que é proposto

Pra falar de árvore (hoje), é preciso que alguma seja derrubada

Pra falar de outrem, é preciso alguém

Pra falar disso, foi preciso pensar e escrever

Pra falar daquilo, isso já não era mais importante

Hoje, o que penso e o que sinto são separados pelo que faço

Se faço aquilo que sinto, penso que fiz errado

Se erro no fiz, penso que sinto muito

Se o desejo não basta pra mim, me ponho de pé, enganado por um só

Só é como me sinto (pensando naquilo que fiz)

A alegria de ser um só parece longe agora

Mas a tristeza de ser só um, cresce rápido como o passar da aurora

Que deixa beleza, mistério já desvendado

Mas, falar o que, se palavras já não mudam o coração de alguém?

Pensar o que, se  a mente não obedece mais ao que a gente sente?

As coisas sempre acontecem. Eu até mesmo vi um dia desses.

minha-noite #5

Posted in minha-noite with tags , , , on 1 de abril de 2011 by Pablo Teixeira

Pra dizer tudo que penso falta coragem

Pra externar todo meu lamento falta coragem

Pra rasgar o verbo, eu entendo que falta coragem

 

Sopra o vento, chove a chuva, traz as rugas

Pobre rosto do rapaz

Pensamento solto, sonolento, leve intento de trazer paz

 

O mundo é sempre

A hora é sempre

O amor é sempre eficaz

 

O amor é o ponto final do conto

É rima rica, é doce encanto

O amor é sempre tão  eficaz

minha-noite #4

Posted in minha-noite with tags , , on 6 de março de 2011 by Pablo Teixeira

Não vou falar sobre o Carnaval.

Não vou tocar nas serpentinas, nas fantasias, alegorias, bate-bolas. A caixa vai ficar de lado. Do lado do surdo e do tamborim. A cuíca não tem vez, deixa lá encostada no cubículo. Nada de Colombina, Pierrot ou Arlequim. Nada de Beija-Flor, “viu a Mangueira bláblá” ou “Dez!, nota dez”.

Vou deixar os foliões de lado. A alegria é mais de beber do que de fazer. Os beijos que são dados, roubados, assaltados, forçados… e por aí vai. Não vou perder tempo falando da sujeira, dos acidentes com bêbados, dos furtos e das brigas – também com bêbados.

Teve Blue Man Group em Salvador. Mas qualquer grito de “joga a mãozinha pra cima” vai ser mais intreressante. Em Veneza, é quase proibido aparecer uma parte do corpo. Aqui… não.

O verdadeiro começo de ano pro Brasil, um país de tolos – é só depois do Carnaval. Coisa boa. Bahia de todos os santos. Cidade Maravilhosa. A garoa de Sampa. O Brasil tem cara de feriado. Tem cara de férias  [511 (quinhentos e onze) anos de férias, mas vamo lá]. Damos um jeito sempre mesmo. O dinheiro que vai faltar se aumentar o salário mínimo, aparece pra fazer Estádios de Futebol. E você nem vai reclamar. O hospital tá quase sem teto, mas o Brasil vai ser Hexa! Quem liga pro hospital?!

Um velho de 18 anos. Provavelmente quem vai ler o texto pensa similarmente a mim. Então nem dá pra criticar também.  Provavelmente, você que vai ler o texto, pensa. Que bom.

Mas não vou falar sobre o Carnaval. Aliás, eu vou é pular, com certeza.

minha-noite #3

Posted in minha-noite with tags , , on 4 de fevereiro de 2011 by Pablo Teixeira

Qual é a diferença? Se tenho muito ou pouco, qual é a diferença? Se penso antes ou depois, o que importa? Se exploro todos os sentidos ou só finjo, e daí? Se acordo antes de sonhar ou transformo tudo em pesadelo, qual é o problema? Se faço, erro, aprendo, re-aprendo ou desaprendo, o que tem demais?

Chega de perguntas, ok? (risos)

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